A crise existencial veio do chão do meu coração.

 

Do chão do meu coração.

Essa crise existencial veio do chão,

De onde se alimenta o meu coração.

Essa crise não veio da sombra,

Que agora me assombra.

 

A crise veio do chão,

De onde procede a matéria-prima,

Que contaminou meu coração.

 

E como o coração está contaminado!

Medroso como uma presa abatida.

O mal corrompeu o chão,

De onde brotou meu coração.

 

Por isso eu tremi.

Eu corri feito louco nas ruas.

Senti sufocamento por causa do ar que desapareceu.

Sentia, pois, a morte chegando,

De sorte que me sentia desaparecendo.

 

Do chão do meu coração.

Podia ter vindo da boca,

Dos braços ou das pernas.

Mas veio do chão,

Lugar de onde vem a emoção.

 

Portanto, eu não soube guardar o chão do meu coração.

Primeira crise e desse jeito.

Antes que seja tarde,

Preciso levantar-me do chão,

Para recuperar o chão do meu coração.

 

Pois nesta vida tem muito chão.

Muito chão para andar.

O chão onde está o coração.

O chão aonde eu ando.

 

Em todo o canto em que eu for,

Preciso ardorosamente proteger o chão.

Sem sombra de dúvida,

Falo do chão do meu coração.

 

Caso eu não consiga proteger este chão,

Melhor eu voltar para o berço.

Talvez assim eu consiga reaprender a andar,

Para me proteger dos muitos chãos.

Se a crise existencial pode levar a perder a vida,

O chão aonde se pisa pode tragar qualquer chão

De onde, inclusive, vem a vida.

 

Brasília, 03 de maio de 2019.

 

A crise existencial veio do chão do meu coração. Poema de Bomani Flávio.

Imagem: Pixaby

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